Mudanças Climáticas

Tsunamis no Ártico: um perigo iminente


Com as mudanças climáticas se acentuando cada vez mais, especialistas de todo o mundo se voltaram ao Ártico, que possui enorme risco de deslizamentos de terra, rochas e de gelo. A consequência? Um tsunami com escalas sem precedentes. Inclusive, o que tem preocupado os estudiosos é o fato de que o maior tsunami já registrado ocorreu no Ártico, próximo ao Alasca. A grande diferença é que o tamanho das rochas vistas no deslizamento da época não chegavam nem a um décimo das que poderiam se desprender atualmente.

A região de Barry Arm, no Alasca, que nada mais é do que uma estreita entrada do mar na costa sul do Alasca, marcada por atividades pesqueiras e de turismo, é a localidade que mais preocupa os cientistas. Segundo Anna Liljedahl, geóloga do Centro de Pesquisa Woods Hole, no Alasca, alerta: “São fenômenos diferentes dos que conhecíamos antes. E o pior é que acreditamos que eles se tornarão cada vez mais frequentes”. Ela acrescenta também que a energia liberada por esse deslizamento poderia ultrapassar a de um terremoto de magnitude 7 na Escala Richter.

As consequências para o ecossistema local seriam absurdamente danosas, com um grande desequilíbrio ecológico na região, causado por severos prejuízos ambientais, como é o caso da destruição de habitats de inúmeras espécies que vivem na região. Por outro lado, analisando o ponto de vista humano, a exploração pesqueira e turística da região, que servem como grandes impulsionadores da economia local, seriam suspensas por período indeterminado.

Com as mudanças climáticas, o permafrost - camada superficial de gelo que cobre o solo no inverno - sofre um derretimento muito repentino. Tendo em vista que era ele que unia o solo, sua fusão desregula o ambiente, fazendo com que a terra possa tremer. Isso, alinhado ao derretimento de geleiras, poderia causar tsunamis na localidade. 

Steve Masterman, diretor da Divisão de Estudos Geológicos e Geofísicos do Alasca afirma que “precisamos realmente saber um pouco mais para determinar o quão perigoso seria o deslizamento. É por isso que acreditamos ser necessário produzir conhecimento sobre essa ameaça”. Ele foi, assim como Anna Liljedahl e um grupo de cientistas, o responsável pelo alerta deste iminente perigo, feito através de uma carta aberta.

O que também é bastante preocupante é que a região de Barry Arm não é a única que corre esse risco. Localidades no Nordeste do Canadá, em outras regiões do Alasca e na Finlândia têm sido também possíveis alvos do aquecimento global. A geóloga afirma que "à medida que o aquecimento global continua derretendo geleiras e o permafrost, tsunamis produzidos por deslizamentos de terra se apresentam como uma grande ameaça".

 No século XX, 10 dos 14 maiores tsunamis registrados em todo o mundo ocorreram em áreas montanhosas glaciais, como é o caso da Baía de Lituya, Alasca, num tsunami em 1958, considerado o maior da história. A situação é grave! As mudanças no clima têm se tornado cada vez mais agressivas, de modo que não se sabe o que mais elas podem causar. A mudança deve ocorrer agora!