Política

Ricardo Salles, o ministro da boiada


Ricardo Salles é questionado por jornalistas no Senado
Jefferson Rudy / Agência Senado

Em junho deste ano, a notícia da exoneração do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, alastrou-se pelo país. Conhecido por sua política ambiental desastrosa, o ex-ministro saiu de seu cargo deixando uma marca negativa na história do Brasil, com diversos episódios polêmicos que marcam sua jornada desde o primeiro dia do mandato de Jair Bolsonaro.

Em agosto de 2019, durante uma entrevista coletiva em Brasília, o ministro gerou alarde ao questionar os dados que haviam sido divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre o desmatamento da Amazônia em julho de 2019, que teria aumentado em 212% comparado ao mesmo mês do ano anterior. O próprio presidente Jair Bolsonaro, à época, também afirmou que os dados não condiziam com a verdade e alegou que haveria pessoas dentro do Inpe tentando desgastar a imagem do Brasil no exterior. Questionado, então, sobre quais seriam as verdadeiras porcentagens, Ricardo Salles declarou que não havia preocupação em apontar números. “A nossa preocupação não é trabalhar para criar número, seja número qual for. É dizer que o número, da forma como foi apresentado, e a análise que foi feita, não estava correta.” afirmou.

Já em abril de 2020, ao início da pandemia de COVID-19 no país, Ricardo Salles declarou durante uma reunião ministerial sua visão sobre aquele momento. Se os olhos da mídia estavam na pandemia global, que eles tirassem vantagem da situação para “ir passando a boiada”, em referência a mudanças de regras ligadas à proteção ambiental e à área de agropecuária. “Agora é hora de unir esforços pra dar de baciada a simplificação, é de regulatório que nós precisamos, em todos os aspectos” disse o ministro.

Também em 2020, a Polícia Federal conduziu a Operação Handroanthus, responsável pela apreensão de mais de 200 mil metros cúbicos de madeira ilegal. À época, o ministro fez fortes declarações de oposição à apreensão, alegando legalidade das madeireiras. O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, declarou que as declarações do ministro foram feitas “no intento de causar obstáculos à investigação de crimes ambientais e de buscar patrocínio de interesses privados e ilegítimos perante a Administração Pública.” Segundo a investigação, as terras que Ricardo Salles havia declarado “legítimas” eram fruto da grilagem, a prática de falsificação de documentos que resulta no roubo de terras públicas ou de terceiros.

Como dito pelo comentarista da GloboNews, André Trigueiro, “Ricardo Salles nunca foi ministro do meio ambiente. Sua missão nunca foi proteger nossa fauna, flora, nossa biodiversidade.” E quando analisada sua trajetória no MMA, não é difícil notar as evidências para isso. Recusa em sediar a COP 25, “passar a boiada”, envolvimento com madeireiras ilegais, atrito com o Inpe e negligência frente às queimadas no pantanal foram só algumas das sombrias marcas deixadas na história da gestão ambiental do Brasil.