Indígenas

Para onde foram as andorinhas?


"Quando restar só os brancos, eu vou afastar os sapos que seguram as duas pontas do céu, o céu vai cair e vai acabar tudo, assim diz o Criador", relatado por um indígena do povo Xingu, população que habita a região próxima às margens do Rio Xingu, localizado no estado do Mato Grosso, e que conta com aproximadamente 16 grupos étnicos, segundo dados do ano de 2002, baseados em um levantamento realizado pela Unifesp.

No Parque Indígena do Xingu, o desmatamento é enorme. De acordo com dados do Sirad X, o desflorestamento cresceu em 44,7% em maio e junho de 2019 em comparação ao mesmo período do ano de 2018, reforçando a tendência de alta na desarborização da Amazônia. Para eles, o crescimento se explica por ações do governo Jair Bolsonaro que fragilizaram o combate a crimes ambientais e por declarações do próprio presidente que estariam encorajando atividades ilícitas por todo o país, especialmente o garimpo.

Nas últimas décadas, mais de 42% das terras no entorno da reserva foram desmatadas e transformadas em áreas de produção agropecuária, inclusive as matas ciliares no leito do Rio Xingu que se encontra hoje, infelizmente, em processo de assoreamento. É evidente que as alterações ambientais de fora do parque estão interferindo no seu clima, como, por exemplo, o desmatamento da Floresta Amazônica, que diminui drasticamente a incidência de chuvas e o índice de umidade nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, proporcionando, assim, mais focos de queimadas nessas regiões. Apenas no ano de 2010, incêndios florestais incidiram sobre 10% do território do parque e, apesar de haver uma constante mobilização dos nativos para apagá-los antes que se tornem incontroláveis, as florestas estão mais secas e a temperatura mais alta, o que torna a mata cada vez mais suscetível a possíveis queimadas.


Árvores não florescem mais e, atualmente, o fogo se alastra muito facilmente por conta do clima seco. Não é mais possível prever chuvas sem as cigarras e andorinhas dando o sinal que tal chuva viria, especialmente porque o clima desregulado causado pelas queimadas e a destruição dessa mata afastam ou matam esses animais. Quando um trecho da floresta é desmatado, há um impacto irreversível na fauna daquele ponto, pois a grande maioria das espécies não tolera as temperaturas mais altas de ambientes sem cobertura vegetal. Por conta das queimadas e da seca, a época de boas colheitas é afetada e muitas vezes os alimentos que o povo Xingu planta para sobreviver, morrem antes de crescer.

Por fim, gostaríamos de convidar o leitor a assistir o documentário “Para onde foram as andorinhas?”, disponibilizado abaixo. Ele expõe um conteúdo rico em informações e dados alarmantes que demonstram a importância e a urgência da demarcação de terras e da criação imediata de políticas públicas em prol da defesa dos povos nativos. Dentre as homenagens recebidas pelo filme, estão o Prêmio de Melhor Curta Metragem no Festival Ambiental das Ilhas Canárias, 2016; o Prêmio Refúgios e Mudanças no Festival ENTRETODOS de Direitos Humanos, 2016; o Prêmio de Melhor Curta Metragem FestCine Amazônia, 2016; e o Gran Premio Anaconda, Paraguai, 2018. Esperamos que sintam-se tão comovidos quanto nós após ver esse emocionante curta brasileiro premiado.

youtube.com/watch


Este texto não reflete a opinião do ProWorld Brazil.