Geopolítica

O que é a COP26?

A 26ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que acontece anualmente e foi adiada no ano passado, teve a sua abertura neste domingo (31) e durará até dia 12 de novembro.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, discursa sobre a COP26
Andrew Parsons - No10 / CC BY-NC-ND

Em Glasgow, na Escócia, deu-se início a 26ª cúpula da ONU, mais conhecida como COP26, para criar e firmar acordos climáticos e medidas voltadas à proteção do meio ambiente.

O nome COP26 é uma abreviação para essa edição da Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Durante a conferência, representantes de diversos países, assim como ativistas, especialistas e interessados na causa ambiental, se reúnem para discutir e encontrar soluções globais para problemas relacionados ao meio ambiente. Às vezes esses encontros geram frutos, como o Acordo de Paris, firmado na COP15.

O Acordo, assinado por mais de 190 países, procura reduzir o aquecimento global, mantendo o aumento da temperatura até, no máximo, 2 °C em relação à era pré-industrial. Porém, para os cientistas e para a ONU, essa mudança não deveria passar dos 1,5 °C se quisermos evitar que cerca de 420 milhões de pessoas sejam impactadas por fortes ondas de calor - fora as outras consequências que o aumento de 2 °C pode trazer, como a desertificação e inundação de áreas habitadas.

Objetivos da COP26

Alguns dos pontos principais que o presidente da conferência e membro do Parlamento britânico, Alok Sharma, espera que sejam tratados são:

  • Reforçar a meta de 1,5 °C, ainda não acatada por países produtores de combustíveis fósseis;

  • Acabar com o uso do carvão, que atualmente ainda pode ser utilizado se maioria dos gases causadores de efeito estufa forem capturados;

  • Oferta de US$ 100 milhões pelos países mais desenvolvidos para ajudar os países em desenvolvimento a se tornarem mais sustentáveis, substituírem o uso de combustíveis fósseis e a superarem a crise;

  • Prazo de 14 a 19 anos para que todas as vendas de carros novos tenham zero emissões;

  • Acabar, em uma década, com o desmatamento;

  • Reduzir emissões de metano, 80 vezes mais perigoso que o CO2 quando se trata de causar aquecimento;

Emissão líquida zero?

Muitos países e empresas estão buscando cobrir a meta de 1,5 °C por meio da emissão líquida zero, ou seja, encontrar maneiras de remover todo o carbono que produzirão da atmosfera. Há duas maneiras de se fazer isso atualmente: de forma natural, como florestas, que retiram carbono do ar, ou de forma artificial, com tecnologias de captura e armazenamento, que retiram o carbono antes que ele entre na atmosfera e o armazenam ou enterram.

O que preocupa os cientistas e ativistas em relação a esse método é que, como disse o líder de políticas climáticas da Oxfam America, Aditi Sen:

"O problema das metas de emissões líquidas zero, tanto por empresas quanto por uma série de governos, é que muitas delas são realmente vagas e há o risco de que se tornem uma espécie de cobertura para os negócios normais”.

Há diversas possibilidades sustentáveis e renováveis que podemos usar para substituir algumas fontes de emissões, como a geração de energia por fontes limpas.