Tecnologia

Lançamentos de esgoto foram descobertos graças a IA


Foram identificados 926 eventos de derramamento de duas estações de tratamento de águas residuais em um período de 11 anos, empregando o aprendizado de máquina no Reino Unido, os quais, até pouco tempo, não estavam sendo reportados. A abordagem surpreendeu a Agência Ambiental do Reino Unido. “Agradecemos qualquer ferramenta que previna a poluição”, disse a agência, em nota. Esses aparelhos funcionam com a utilização de algoritmos para reconhecer, por meio do padrão de fluxo em uma estação de tratamento, quando um derramamento está acontecendo.

As estações de tratamento de águas residuais têm o aval para lançar esgoto não tratado nos rios quando há chuvas excepcionais. Os tanques de chuva em uma planta podem ficar sobrecarregados com a água da chuva e transbordar de águas residuais não tratadas dos tanques para os cursos d'água e esses transbordamentos tem causado preocupação aos cientistas.

Christine Colvin, da instituição de caridade Rivers Associação financeira, disse que foi montado “o primeiro mapa nacional de transbordamentos de esgoto em rios ingleses no ano passado, julgo que todos ficamos chocados com a quantidade e a extensão da poluição de esgoto em nossos rios”

"Queríamos trazer novas tecnologias para ajudar na transparência e fiscalização da qualidade da água", disse Andrew Singer, professor do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido

A pesquisa para detecção de vazamentos através da Inteligência Artificial (IA) foi liderada pelo Prof. Peter Hammond e fez uso de um algoritmo de reconhecimento de padrões originalmente desenvolvido para genética médica. "Anteriormente, eu estava usando o aprendizado de máquina para detectar diferenças sutis no formato do rosto das crianças para ajudar a diagnosticar certas condições genéticas", disse ele. E embora isso possa parecer um desvio nos objetivos do estudo, o reconhecimento de padrões e a abordagem de aprendizado de máquina funcionam da mesma maneira na detecção dos vazamentos no Reino Unido.

Os pesquisadores passaram anos buscando dados sobre as taxas de fluxo em duas estações de tratamento - ensinando o algoritmo a reconhecer a "forma do fluxo" quando uma estação estava operando normalmente e quando estava derramando águas residuais não tratadas. “Ele constrói conhecimento e então você o testa”, disse o Prof. Singer.

Usando 11 anos de dados de fluxo de duas plantas, o algoritmo foi capaz de identificar 926 casos em que esgoto não tratado estava sendo lançado por pelo menos três horas em água corrente. Para os pesquisadores do estudo, todas as empresas de água em todo o Reino Unido deveriam implementar uma abordagem semelhante à dos dispositivos de IA em qualquer planta para detectar derramamentos não relatados.

O Prof. Singer acrescentou que passou boa parte de sua carreira estudando os impactos da poluição à vida humana e, por isso, acredita que é preciso resolver o problema de esgoto bruto que temos no Reino Unido.

"Não podemos nos permitir o impacto poluente em nossos cursos de água se quisermos usá-los com segurança para recreação e se quisermos permitir uma recuperação verdadeiramente verde que traga de volta a vida selvagem para nossos rios", afirmou Christine Colvin.

O órgão da indústria, Water UK, disse à BBC News que estaria investindo £1,1 bilhão nos próximos cinco anos "para melhorar as inundações de tempestades e as obras de tratamento de águas residuais" e afirmou ainda que "muitas empresas já estão empregando técnicas de IA para gerenciar seus ativos".