Política

IBAMA enfrenta um dos maiores desfalques em seu quadro de funcionários


Após o anúncio do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de criar um Grupo de Trabalho (GT) para a discussão da fusão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sob o pretexto de fazer uma “análise de sinergias e ganhos de eficiência em caso de fusão” para otimizar os órgãos, entrou-se mais uma vez em discussão um documento que havia sido divulgado pelo IBAMA em julho deste ano. Entranto, no GT, não há funcionários de nenhum dos dois órgãos, apenas pessoas de confiança do ministro.

Foi divulgado, em julho deste ano, um documento que apresenta o grande rombo que há no quadro de funcionários do IBAMA, que enfrenta uma das maiores crises de recursos humanos já vista. Segundo André Trigueiro, jornalista ambiental, “ao anunciar a intenção de fundir o IBAMA com o ICMBio, Salles lança uma cortina de fumaça para encobrir os verdadeiros problemas de gestão desses órgãos”.

No documento, disseminado pelo próprio órgão, é possível entender a que problemas o jornalista se refere. Há algum tempo, o IBAMA vem enfrentando uma severa crise na sua área de recursos humanos, na qual é perceptível a falta de funcionários e de materiais para que o instituto consiga desempenhar seu papel de forma plena e responsável. 

Segundo gráficos apresentados no documento, há mais vagas em aberto do que ocupadas no órgão,  diferença essa que cresce cada vez mais devido às aposentadorias anuais em contraste com a falta de renovação no quadro de funcionários. Além do IBAMA, o ICMBio também enfrenta problemas no seu quadro de pessoal, o que preocupa ainda mais o futuro da fiscalização e preservação ambiental no Brasil. 

A declaração ainda reforça que, ao final do ano de 2020, o IBAMA terá menos de 50% de sua lotação necessária. Para renovação de pessoal, é preciso que sejam abertos concursos públicos, tendo em vista que o órgão é, também, público. O problema é que essa reivindicação não foi aprovada ainda. Ao invés disso, Salles planeja unir ambos os órgãos visando otimizar suas tarefas.

A questão que fica é: por que unificar ambos os institutos sob o pretexto de agrupar suas tarefas ao invés de investir em concursos públicos que os tornem mais eficientes, cada um com suas responsabilidades?