Mudanças Climáticas

Estudo afirma que aquecimento global aumenta número de mortes


Muitas vezes, quando se trata de aquecimento global e das suas consequências, pensa-se somente sobre seus efeitos a longo prazo e sobre suas repercussões para as gerações futuras. No entanto, um novo estudo conduzido por 70 pesquisadores, em 43 países, publicado no jornal Nature Climate Change, deixa bem claro os resultados imediatos do aquecimento global.

De acordo com a pesquisa, que analisou dados de epidemiologia e de modelos climáticos, as mortes relacionadas às elevadas temperaturas durante as estações mais quentes tiveram um aumento entre 20% e 76%, com média de 37% nos países analisados.

Os autores do estudo afirmaram que “se unidos, nossos dados demonstram que uma porção substancial das mortes totais e das relacionadas ao calor durante o período do nosso estudo podem ser atribuídas à mudança climática global induzida por humanos”. Os pesquisadores estimaram que, em algumas partes do mundo, as mudanças climáticas ocasionaram até 5% de todas as mortes. “A mortalidade atribuível já está na ordem das dezenas de centenas de mortes a cada ano”, acrescentam os estudiosos.

O problema se torna ainda mais preocupante quando considerado que esses dados estão incompletos, pois há muitos países, em sua maioria pobres, principalmente da África e do Sul da Ásia, os quais não têm fontes com dados confiáveis sobre o assunto. Assim, esses locais não são incluídos na análise da pesquisa, o que impacta seriamente a compreensão da dimensão do problema, especialmente quando pensamos na indicação feita pelo estudo sobre uma possível diferença na mortalidade entre regiões ricas e pobres.

Mesmo que os fatores considerados para se analisar o número de mortes ligadas ao clima sejam inúmeros e complexos - como o acesso à saúde e a densidade urbana -, fica claro que regiões como a América do Norte e o Leste da Ásia tem um número menor de mortes. Enquanto isso, países da América Central e do Sul têm mais de 70% de mortes por calor associadas a mudanças climáticas.

Um cientista do clima da Universidade de Bristol, no Reino Unido, Dann Mitchell, adicionou um comentário ao estudo no qual reforçava que “os países nos quais nós não temos os dados de saúde necessários geralmente estão entre os mais pobres e mais suscetíveis às mudanças climáticas, e, preocupantemente, também são os maiores hot spots projetados para crescimento populacional futuro”. Além disso, Dann acrescentou que “obter esses dados será ponto-chave para a ciência promover a informação necessária para ajudar esses países a se adaptarem”.