Saúde Planetária

Como as queimadas na amazônia agravam os casos de Covid-19


Estamos vivendo um grave momento de pandemia. O Covid-19 ataca o sistema respiratório, especialmente os pulmões, assim como a fumaça provocada por queimadas. Especialistas em saúde pública afirmam que isto pode sobrecarregar os sistemas de saúde e provocar inúmeras mortes desnecessárias, principalmente na região amazônica, altamente afetada pelo vírus.

Os incêndios destroem milhares de hectares de mata por ano, visando abrir espaço para pastagens de gado e grandes plantações de soja. Com o início da estação seca em maio, as queimadas devem atingir seu ápice em pouco tempo. E em meio a ameaça da pandemia, os indígenas, mais suscetíveis à doença, estão muito presentes na região.

Em Rio Branco, no Acre, mesmo sem o coronavírus, os hospitais ficam sobrecarregados por conta dos efeitos da fumaça durante a estação seca, afirmou o médico do Hospital de Urgências e Emergências da cidade, Guilherme Pulici, em entrevista ao Repórter Brasil. "Já teve ano em que a fumaça era tanta em Rio Branco que não dava para enxergar o outro lado da rua.", disse ele.

"Já teve ano em que a fumaça era tanta em Rio Branco que não dava para enxergar o outro lado da rua."

As pessoas que acabam nos hospitais devido a fumaça também provocam um maior risco de contágio, já que os hospitais possuem uma carga viral altíssima, e em caso de contágio, a chance de que o paciente desenvolva um caso grave aumenta.


A poluição, portanto, é um dos fatores que explicam o altíssimo número de mortes por coronavírus na região norte do país. Mas a ameaça não paira apenas sobre esta região; a poluição pode migrar para outras regiões, como provado no episódio ocorrido em setembro de 2019, no qual a fuligem proveniente das queimadas na amazônia foi vista na região sudeste do país. Além disso, a poluição proveniente de veículos, fábricas e usinas também atacam o sistema respiratório, aumentando o número de casos graves do Covid-19.