Plástico

Atlas do Plástico


Devido ao estrondoso aumento do uso de máscaras e ao crescimento astronômico das vendas por delivery em aplicativos durante a atual pandemia de COVID-19, o uso de plástico para a confecção de embalagens, produtos de higiene pessoal e materiais hospitalares sofreu uma ampliação exponencial. Além disso, a baixa taxa de reciclagem do material no Brasil, cerca de 1,28% de acordo com a WWF, facilita o acúmulo de lixo descartado de forma irregular.

Com o intuito de expor dados e informações sobre a produção e o consumo dos polímeros sintéticos (plásticos) mundo afora, a Fundação Heinrich Böll, no Rio de Janeiro, publicou, no dia 30 de novembro, o Atlas do Plástico, um compilado de artigos sobre os impactos socioambientais do material. Ao longo da sua leitura, são introduzidas as mais diversas temáticas no que se diz respeito ao plástico, como o seu uso na produção de roupas, o seu descarte no mar e os impactos ambientais da sua produção industrial.

O Brasil, como 4° maior produtor de lixo plástico no mundo, perde cerca de 5,7 bilhões de reais por não investir em reciclagem. A exemplo disso, em 2018, foi produzida no Brasil uma média de 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos, dos quais 13,5% são plásticos, de acordo com o Selurb (Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana). “Quase dez anos depois da criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o Brasil está aquém do que era esperado no combate ao lixo plástico”, relata o Selurb.

Infográfico por Fundação Heinrich Böll - Atlas do Plástico / CC-BY

É bastante difundida a poluição do plástico causada pela sua durabilidade pós-uso, porque a sua lenta degradação faz com que ele se acumule nos ecossistemas em que é descartado, assim, prejudicando as espécies desses locais. O que muitos não observam, todavia, é a influência da produção industrial do plástico no agravamento das mudanças climáticas.

Um relatório do Center of International Environmental Law (CIEL) aponta que 99% da composição química do plástico deriva de combustíveis fósseis. A Agência Internacional de Energia aponta que os petroquímicos, estando o plástico incluso, representarão metade da demanda extra de petróleo até 2050, isso quer dizer que a produção de plástico aumenta as emissões decorrentes da exploração de petróleo, gás e carvão. Estima-se que, se essa indústria continuar se expandindo, ela será responsável por pelo menos 10% da quantidade de dióxido de carbono liberado na atmosfera, podendo chegar a emitir quase 3 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa anualmente.

Ao redor do mundo, são inúmeros os acordos e projetos de lei que procuram a regulamentação e restrição do uso do plástico. Contudo, por passar apenas pelo consumo, essas ações não resolvem o problema estrutural do uso do plástico que se encontra, principalmente, na sua produção industrial. Como um produto da indústria petroquímica, o plástico é extremamente nocivo, tanto ao clima quanto aos ecossistemas, afetando cadeias alimentares e ciclos biológicos.

O plástico já se encontra presente, praticamente, em todas as regiões do planeta - recentemente, foram encontrados microplásticos na Antártida e na Fossa das Marianas, os dois únicos lugares que permaneciam, até então, livres da presença desse material. Nesse contexto, mostra-se necessária a cooperação global em prol da superação da crise mundial causada pela nossa atual dependência do plástico que pode, em um futuro não tão distante, provocar inúmeros outros problemas ao planeta.